A INVISIBILIDADE DO ANALFABETISMO FUNCIONAL NA ERA DO CONHECIMENTO
Palavras-chave:
Analfabetismo funcional; alfabetização; Letramento; Políticas educacionais; Práticas pedagógicas.Resumo
O analfabetismo funcional permanece como um dos principais desafios educacionais do Brasil, afetando significativamente o direito à aprendizagem e à participação social. Este trabalho tem como objetivo analisar o analfabetismo funcional na era do conhecimento, investigando suas causas, consequências e a eficácia das políticas e práticas educacionais voltadas à sua superação. A natureza do problema é multidimensional, envolvendo fatores sociais, históricos e pedagógicos que ultrapassam a mera decodificação da leitura e da escrita. A pesquisa utiliza abordagem qualitativa, de caráter bibliográfico e documental, fundamentando-se em autores como Freire (1987; 1996), Soares (2003; 2004; 2009), Cagliari (2002), Castells (2003), Patto (1990), Garcia (1990), Toledo (2009) e Cordeiro (2011), além de dados estatísticos de IBGE, INEP e INAF. O estudo demonstra que o analfabetismo funcional é consequência de um conjunto de desigualdades estruturais, da fragmentação curricular, de práticas pedagógicas pouco significativas e da falta de continuidade de políticas de alfabetização e letramento. Os resultados revelam que grande parte dos estudantes conclui o ensino fundamental sem desenvolver competências essenciais de compreensão, resolução de problemas, interpretação e articulação crítica de informações. Evidencia-se, ainda, que esse fenômeno impacta a cidadania, a inserção profissional e a autonomia intelectual de jovens e adultos. A análise aponta que práticas pedagógicas centradas em metodologias ativas, uso crítico das tecnologias digitais e abordagem interdisciplinar — como propõem Moran (2018) e Valente (2018) — podem favorecer aprendizagens mais profundas e contextualizadas. Conclui-se que superar o analfabetismo funcional requer ações articuladas entre escola, políticas educacionais e sociedade, além da valorização docente, investimentos contínuos e alfabetização baseada no uso social da língua. Assim, alfabetizar é um ato político e emancipador, reafirmando a necessidade de práticas que promovam o letramento crítico e a participação cidadã.
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